VINGANÇA

BARRA-CONTOS

O sujeito era corno. Todos sabiam. Qualquer um dos seus amigos saberia contar a história do dia em que ele fora visitar a namorada, no mesmo horário de sempre e, chegando lá, notou um carro estranho parado em frente à casa dela. Ao se aproximar e ver de perto que dentro do carro estava um sujeito beijando e se amassando com sua namorada, não pôde acreditar nos próprios olhos. Olhou de novo, só pra ter a certeza de que era ela, mas faltou-lhe coragem de ir lá e abordá-los, e ele simplesmente deu meia volta e saiu. Mais tarde, ao falar com ela, disse:

– Te liguei mais cedo. Ninguém atendeu.

– Pois é. Saí com a mamãe. Quanto cinismo! – pensou.

Tomado pela raiva, o sujeito conseguiu dizer que sabia de tudo, que a tinha visto no carro, que não adiantava ela inventar histórias pois ele não acreditaria.

Indignada e falando alto, a namorada o acusou de “louco ciumento” e disse que aquela história toda não tinha o menor fundamento. Fez que fez, que ele foi convencido de que não era mesmo ela quem estava dentro do carro. E o namoro continuou.

Pra o seu azar, a história vazou. Durante quase dois anos ele foi o alvo predileto de todas as brincadeiras e de todas as sacanagens aprontadas pela turma. Até mesmo depois do namoro ter terminado – quando a família da moça acabou se mudando pra outro lugar – ele ainda escutava todas as brincadeiras. Não se importava. Até se divertia com os amigos. Era manso, mas sabia rir de si mesmo.

Certa vez, numa festa, testemunhou uma cena preocupante:

– Ô Marcelinho, aquela ali não é a mulher do Paulete?

– Xi rapaz! É ela mesma – confirmou Marcelinho.

Paulete também era da turma. Um daqueles que tanto faziam piadas ao seu respeito. Decidiu que ninguém lhe tomaria aquele prazer. Pegou o telefone, discou um número e aguardou. Alguns segundos depois uma voz sonolenta atendeu:

– Alô!

– Oi! Paulete?!

– Oi…Quem é?

– Sou eu…

– Hum, oi…

– Sua namorada tá aí?

– Não. Ela foi numa festa com a família.

– Sei….

E deu a sentença:

– Ó, você é corno, viu?!

Desligou sem dizer mais nada. Sentindo-se renovado.

BARRA-inferior-NOVA

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